Conforme revelado pela WIRED, um novo relatório da **AI Forensics** expõe a compra de ferramentas de hacking para assediar mulheres em grupos de Telegram, impactando globalmente a segurança digital.
Pesquisa Alerta para Abuso Generalizado no Telegram
Uma pesquisa recente do grupo europeu sem fins lucrativos **AI Forensics** desvendou uma rede alarmante de abuso em grupos e canais do **Telegram**. Durante seis semanas, os pesquisadores analisaram quase 2,8 milhões de mensagens em 16 comunidades italianas e espanholas, identificando mais de 24.000 membros envolvidos na postagem de 82.723 arquivos multimídia.
Os achados são graves, revelando uma vasta troca, venda e promoção de conteúdo abusivo, incluindo:
- **Imagens íntimas não consensuais** de mulheres.
- Serviços de “nudificação” (geração de imagens falsas).
- Pastas de imagens que supostamente incluem material de **abuso sexual infantil** e representações de incesto e estupro.
A pesquisa destaca que, embora celebridades e influenciadores sejam alvos frequentes, muitas vítimas são mulheres comuns conhecidas pelos agressores. **Silvia Semenzin**, pesquisadora da AI Forensics, ressalta que “A maioria dessa violência é direcionada a pessoas que os perpetradores conhecem”, enfatizando a necessidade de regulamentação mais rigorosa para o **Telegram**, que possui mais de 1 bilhão de usuários ativos.
Serviços de Espionagem e Hacking Anunciados
Entre os tipos de conteúdo abusivo, foram observadas frequentes referências ao acesso, publicação e doxing de informações privadas de mulheres, compartilhamento de conteúdo do Instagram ou TikTok, além de menções a espionagem e hacking. Postagens traduzidas oferecem “hacking profissional sob encomenda” para acesso a galerias de telefone, extração de fotos e vídeos, e “hacking anônimo de redes sociais”.
O conjunto de dados revelou mais de 18.000 referências a conteúdo de espionagem. Usuários foram vistos perguntando sobre a possibilidade de encontrar números de telefone conectados a contas do Instagram e buscando troca de “fotos e vídeos de espionagem”. Embora a pesquisa não tenha verificado a funcionalidade das ferramentas, a oferta de **stalkerware** e **spyware** contra mulheres é um fenômeno já documentado.
Reação do Telegram e Críticas à Plataforma
Um porta-voz do **Telegram** afirmou à **WIRED** que a empresa remove “milhões” de conteúdos por dia usando “ferramentas de IA personalizadas” e que suas políticas na Europa proíbem a promoção de violência, conteúdo sexual ilegal (incluindo imagens não consensuais) e doxing. O porta-voz também mencionou que o Telegram bloqueou quase 12 milhões de grupos e canais este ano, incluindo mais de 153.000 ligados a material de abuso sexual infantil.
No entanto, especialistas como **Adam Dodge**, advogado e fundador da EndTAB, apontam que “Qualquer plataforma ou aplicativo que possa ser usado para prejudicar mulheres e meninas será”. Ele destaca que o **Telegram** se sobressai por oferecer anonimato, velocidade e grandes redes de usuários com mentalidade semelhante, condições ideais para o florescimento de mercados de abuso baseado em imagens.
Análise Técnica: O Impacto para a Segurança Digital e a Regulação
Este relatório da **AI Forensics**, destacado pela **WIRED**, sublinha uma preocupante escalada da **ciberviolência de gênero**, que agora se manifesta na compra e venda explícita de **ferramentas de hacking** e **serviços de vigilância**. Isso representa uma nova dimensão na invasão da **privacidade** e na compromisso da **segurança de dados**, impactando diretamente o setor de tecnologia e cibersegurança.
A facilidade com que esses serviços são anunciados em plataformas como o **Telegram** aponta para um **mercado negro de ciberarmas** altamente acessível, que permite a indivíduos sem conhecimento técnico aprofundado se tornarem agressores cibernéticos. Essa “democratização” do cibercrime aumenta exponencialmente o risco para a população em geral e sobrecarrega os profissionais de segurança digital com novas categorias de ameaças.
A resistência do **Telegram** em ser categorizado como “very large online platform” (VLOP) sob o **Digital Services Act (DSA)** da Europa é um ponto crítico para a **governança da internet**. Tal classificação imporia responsabilidades de moderação e transparência mais rigorosas, essenciais para combater a proliferação desse tipo de conteúdo. O uso de **inteligência artificial (IA)** para moderação, embora mencionado pela plataforma, revela-se insuficiente diante da escala e da natureza sofisticada do abuso. Para o setor, isso significa que as estratégias de defesa atuais precisam evoluir rapidamente, exigindo avanços em **forense digital**, **inteligência de ameaças** e **análise de dados** para rastrear e neutralizar essas redes criminosas. A proteção de **dados pessoais** e a garantia da **privacidade** exigem uma abordagem multifacetada, envolvendo não apenas tecnologia, mas também um arcabouço legal e educacional robusto.
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